TRÊS TRECHOS DE RODOVIAS FEDERAIS EM GOIÁS ENTRE OS MAIS PERIGOSOS

Trechos da BR-040 e da BR-070, no Entorno do Distrito Federal, e da BR-153, entre Goiânia e Aparecida de Goiânia, estão entre os 100 que apresentam maior gravidade em relação a acidentes no Brasil. O fato é resultado de uma pesquisa realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que listou os trechos que requerem mais cuidados e maior fiscalização até o fim do carnaval de 2013, de acordo com a Operação Rodovida, do governo federal, que se inicia neste sábado (15).

Para a elaboração do estudo, o Ipea concedeu pontuação a cada trecho de 10 quilômetros com dados de janeiro a setembro deste ano. Os pontos são obtidos pela multiplicação do número de acidentes registrados no trecho pela pontuação de cada tipo, sendo que o acidente sem vítima vale 1 ponto; acidente com vítima, 5 pontos; e acidente com óbito 25 pontos.

A soma dos pontos concede o Índice de Gravidade (IG). Desta forma, o IG não é uma relação direta com o número absoluto de acidentes ou de mortos, mas com a gravidade dos acidentes ocorridos em determinado trecho. Os 100 trechos listados somam 1,4% da malha rodoviária das BRs, mas neles ocorrem 27,6% dos acidentes e 11% das mortes.

BR 040 entre o Distrito Federal e Goiás. (Foto: Isso é Brasília).
BR 040 entre o Distrito Federal e Goiás.
(Foto: Isso é Brasília).

Pelo ranking, a BR-040 tem o trecho que está entre a saída do Distrito Federal até a cidade de Valparaíso (entre os quilômetros 0 e 10) na 35ª colocação, com 943 pontos. Logo em seguida, está o trecho urbano da BR-153 (quilômetros 500 e 510) entre o viaduto próximo ao Carrefour e a região dos motéis, com 940 pontos.
O terceiro trecho de rodovia federal em Goiás citado entre os 100 piores está na BR-070 (quilômetros 0 e 10), na 70ª colocação com 687 pontos (ver mapa). O pior trecho listado pela pesquisa se encontra em Santa Catarina, entre os quilômetros 200 e 210 da BR-101, que somou 2822 pontos. Em seguida, está a BR-116, no Pará (2669 pontos) e BR-381 em Minas Gerais (1943).

Dentre os estados, o Paraná é visto como aquele com o maior número de trechos entre os 100 piores, com 16. Santa Catarina possui 14 trechos na lista da PRF e o Rio de Janeiro tem 11. São Paulo possui 10 trechos em rodovias federais entre os 100 piores.

De acordo com o chefe do departamento de Comunicação Social da PRF em Goiás, inspetor Newton Moraes, as BRs 040 e 070, nos trechos citados, mesmo sendo parte do território goiano, são de responsabilidade da superintendência da PRF do Distrito Federal.

“A nossa maior preocupação é mesmo com o trecho urbano da BR-153, que recebe grande fluxo de veículos em virtude de ser dentro da cidade e esse trecho entre os quilômetros 500 e 510 faz a ligação entre várias cidades”, alega.

Por outro lado, Newton admite que a colocação do trecho da BR-153 no ranking é bem melhor do que aquela obtida no ano anterior, quando foi realizada a primeira Operação Rodovida. Na ocasião, o trecho foi considerado o 19º de maior gravidade do País.

A melhora, segundo o inspetor da PRF, se deu a partir de diversas intervenções estruturais, como o cancelamento da possibilidade de retorno no trecho e a aplicação de lombadas eletrônicas que limita a velocidade máxima permitida em 80 km/h.

INTERVENÇÃO

Newton Moraes explica que o trecho da BR-153, no entanto, continua entre os mais perigosos por funcionar, atualmente, como mais uma avenida de Goiânia, em que os motoristas podem se locomover entre 60 e 80 km/h, o que não é possível em nenhuma rua da capital, exceto as marginais.

“O local necessita de mais intervenções, como o aumento do número de passarelas, pois é muito visado, muitos eventos ocorrem na região, que também tem muitas empresas”, argumenta o inspetor.

Os motociclistas serão os principais alvos da operação em Goiás pela especificidade do trecho. Segundo o inspetor Newton, de segunda até quinta-feira desta semana foram aplicadas 1.562 multas no trecho, com 38 motocicletas apreendidas por motivos diversos. Neste mesmo período, 56 motociclistas foram detidos por estarem inabilitados e 8 por serem menores de idade. “A maior parte dos acidentes neste trecho envolvem os motociclistas”, afirma Newton.